domingo, 4 de novembro de 2007

O começo do fim, ou só da continuição?

Pra começar, o tema aqui é música. Quem surgiu primeiro, o ovo ou a música?

É impossível se dar um conceito exato sobre o que é a música, de onde ela veio e como ela surgiu. Alguns teóricos acreditam que a música exista por si só, bastando a percepção do ouvinte (o barulho do mar realmente parece música pros meus ouvidos :D), mas a grande maioria afirma que a música só faz sentido se for para ser executada, percebida e interpretada, obedecendo para isto um critério de composição que obedece ritmo, melodia e harmonia, e de onde ainda variam altura, intensidade, timbre e duração, que com sua forma de criação e execução são capazes de levar o ser humano a sensações e lugares inimagináveis. Alegria, tristeza, saudade, profundo deleite, vontade de dançar. É deste tipo de música que iremos falar, e obviamente, procuraremos discutir músicas de no máximo 200 anos de idade (e olhe lá!). Enfim...

Falando de música, sempre fui apaixonado por ela. Talvez seja porque todos os dias da minha infância no interior, quando chegava do colégio, por volta das 18:00, a primeira coisa que fazia era deixar as coisas no quarto, tirar a roupa e correr para a piscina no andar de baixo do sobrado onde minha família ainda mora, dar um tchibum e passar um tempo com meu tio avô. José Mikawa - o tio Zé, que dividia com a piscina o quartinho de bugigangas e tranqueiras em geral, um quarto com mais algumas velharias, e, principalmente seus discos de vinil (que hoje foram apropriados por mim :D), além do quarto onde ele dormia. Naqueles tempos eu escutava o que vinha pela frente, mas sem muito critério: Shakira, Cravo e Canela, Leandro e Leonardo (que ouvia todos os dias pegando carona pro colégio com a minha prima linda), Spice Girls, e o que mais estava em evidência na rádio, e muita música clássica, porque eu e o Tio Zé ficávamos até a hora do jantar fazendo palavras cruzadas e ouvindo, Mozart, Beethoven Chopin, Wagner, Liszt e Schubert, que era um dos preferidos dele e meu também, entre outros grandes gênios da música clássica.

Perto da hora do jantar subia para o piso de cima da casa, onde ficam os outros quartos todos e ia fazer minhas coisas, fingia que fazia a tarefa do dia, brigava com o irmão para poder usar 30 segundos do computador, brigava com a mãe por umas 3 horas tentando convencê-la a me deixar ficar mais um dia sem banho e ia jantar com a família toda reunida: mãe, padrasto, irmão e o tio Zé. Jantávamos e conversávamos sobre as coisas da vida: o dia seguinte, o dia anterior, os fatos inusitados do dia, angústias, alegrias, tristezas e os planos. Até que enfim cada um "tomava seu rumo", a mãe e o padrasto iam para o quarto assistir a novela, as duas crianças iam dormir e meu tio avô descia para o quarto dele, ligava o som do quarto e passava horas e horas a ouvir: Perla, Tania Libertad, Mercedes Sosa, Clara Nunes, Cartola, Caetano Veloso, Chico Buarque, Noel Rosa, Mutantes, Nat King Cole, George Benson, Kitaro e às vezes até um Supertramp.

A estas horas todas as outras pessoas da família já tinham dormido ou então estavam ocupadas com outras coisas que não o som que fluia do andar de baixo da casa; porém eu, como coruja que sou ainda hoje, passava as últimas horas do dia ouvindo e me deleitando ao som do velho, que apesar de ainda nem conhecer já me levava até onde minha cabeça quisesse ir até cair definitivamente no sono, colocando mais fogo ainda na paixão que começava aí a criar força. Não demorou para que, na primeira oportunidade, eu lhe pedisse um walkman de presente.

Ele, que já sabia do meu gosto pela música desde cedo não hesitou em me presentear, e assim começou a história de amor.

Então chegou a adolescência e os interesses começaram a mudar: o corpo já dava os primeiros sinais de amadurecimento, os amigos mudaram, começamos a freqüentar as primeiras baladinhas e matinês dominicais, já começávamos a criar nossas ideologias, influenciadas principalmente pela explosão das bandas de rock dos anos 90, com músicas sobre a liberdade de expressão e sentimento, todo aquele lance decurtir a vida e não se arrepender; conseqüente os gostos mudaram e foram sendo moldados. Já selecionava melhor o que ouvia, mas ainda não tinha aberto completamente a cabeça para o vasto mundo musical ao redor. Naquela época ouvia muito Raimundos, Charlie Brown Jr., Green Day, Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains, Faith no More e Silverchair, e ainda era bem influenciado por meu pai com pitadas de Depeche Mode, Tears For Fears, Right Said Fred, Duran Duran, Erasure, Donna Summer, Gypsy Kings e Stone Temple Pilots, responsável pela grande revolução musical na minha vida, abrindo completamente os meus olhos e a minha cabeça pra outros genêros e estilos musicais que até então nem pensava em explorar, e me mergulhou de vez no roquenrou. Mas isto é tema de alguns posts pra frente.

Com os olhos abertos ao rock, não demorou muito para o metal entrar na jogada também, foram ótimos anos de Angra, Avantasia, Edguy, Gammaray, Hammerfal, Stratovarius, Sepultura e muito Dream Theater, Megadeth e headbang, sempre acompanhado de meus grandes amigos que são metaleiros de carteirinha até hoje e grandes apreciadores de boa música também. E então vim pra São Paulo pouco antes de fazer 18 anos e no jargão popular "o que veio foi lucro", passando do metal e rock de garagem para o mpb, samba, jazz, reggae, indie, pop, country, blues, eletrônico e tudo mais que habita minhas playlists atuais.

É então que você, querido leitor, se pergunta porque deveria gastar seu precioso tempo lendo o que um bando de music freaks (quase) desocupados, tem a dizer sobre esta magnifíca forma de arte, que ajuda a dar sentido à vida e torná-la muito mais prazeirosa? Simples! Um sonzinho cai bem em qualquer ocasião, em um jantar, uma conversa com amigos, para relaxar, no banho, em uma viagem ou uma festa. E como apreciadores (nada) preconceituosos buscaremos analisar os mais diversos estilos, bandas e cd´s de forma construtiva, sempre respeitando o trabalho do artista e ressaltando os pontos positivos da obra, proporcionando assim um melhor descobrimente e apreciação musical. Portanto se o que você procura é conhecer melhor uma banda que ouviu por ai mas não sabe muito a respeito, um pouco de diversão com algumas histórias no mínimo inusitadas ou simplesmente uma leitura despretenciosa enquanto está no banheiro, este é o lugar! Aumente o volume e fique à vontade!

E pra começar a falar objetivamente de música, como não tinha pensado em nada para começar, resolvi aproveitar o ensejo do Tim Festival (que foi ducaraleo) e ainda uma idéia de começar com um Top 10 das bandas que mais abalaram meu gosto musical nos últimos tempos, pra falar de uma banda norte-americana, que estourou junto com o boom do indie rock, em 2004, e me lançou de cabeça no estilo. Começando com The Killers a banda nº 10 da lista.

Críticas e sugestões são bem vindas, comente, elogie, xingue, participe.

Obrigado pela visita e famo que famo féééi!



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